[Autobiographische Skizze] laube

 [Autobiographische Skizze]

Ich kenne diesen jungen Musiker, der in zwei Monaten vermittelst des dresdner Theaters berühmt geworden ist, seit zehn Jahren. Sein unerschöpflich produktives Wesen, welches von einem lebhaften Geiste ununterbrochen bewegt und getrieben wird, hatte mich stets interessirt, und ich hatte stets gehofft, aus einer solchen mit unsrer heutigen Bildung erfüllten Persönlichkeit müsse eine tüchtige moderne Musik sich entwickeln. Abenteuerliche Schicksale, die ihn bis nach Rußland hinaus warfen, entrückten ihn auf einige Zeit meinem Blicke, und ich war nicht wenig erstaunt, ihn im Winter 1839 zu Paris plötzlich in mein Zimmer treten zu sehn. Das war doch die Verwegenheit eines Künstlers! Mit einer Frau, mit anderthalb Opern, mit kleiner Börse und einem furchtbar großen und furchtbar viel fressenden neufundländischen Hunde durch Meer und Sturm von der Düna stracks bis in die Seine zu fahren, um in Paris berühmt zu werden! In Paris, wo halb Europa um den lärmenden Ruhm konkurrirt, wo Alles erkauft, wenigstens bezahlt werden muß, auch das Verdienstvollste, wenn es auf den Markt und dadurch zur Geltung kommen will. Heine, der sonst so sorglose, faltete andächtig die Hände in dieser Zuversicht eines Deutschen. Nun, es gelang nicht, ist aber auch nicht mißlungen, und außen ärmer, innen reicher, war nach zwei Jahren der fahrende Musikus wieder in Sachsen, welches sich seines Sohnes ruhmwürdig angenommen hat. – Um nun meines Freundes Antlitz und Lebensschicksal dem großen Publikum zu zeigen, bat ich ihn, mir das Bild, welches der treue Gefährte Kietz in Paris zur Zeit großer Noth guten Muthes gezeichnet, und einen Abriß seiner Lebensgeschichte zu senden, damit ich letztere ausarbeiten könne. Aber der pariser Drang hat den Musiker in aller Eile auch zum Schriftsteller gemacht: ich würde die Lebensskizze nur verderben, wenn ich daran ändern wollte, und so möge sie zu des Autors eigner Überraschung wörtlich hier folgen, wie er sie mir zur Bearbeitung mitgetheilt hat.


[Esboço Autobiográfico]

Conheci este jovem músico, que se tornou famoso em dois meses no teatro de Dresden, durante dez anos. Sua natureza inexaurivelmente produtiva, constantemente agitada e impulsionada por uma mente vivaz, sempre me interessou, e eu sempre esperei que de tal personalidade, imbuída de nossa educação moderna, se desenvolvesse uma música moderna competente. As aventuras da fortuna, que o levaram até a Rússia, o afastaram da minha vista por um tempo, e fiquei bastante surpreso ao vê-lo entrar repentinamente em meu quarto em Paris no inverno de 1839. Que audácia de artista! Viajar com uma esposa, uma ópera e meia, uma pequena bolsa e um cão Terra Nova terrivelmente grande e voraz, através do mar e da tempestade, diretamente do Daugava ao Sena, para se tornar famoso em Paris! Em Paris, onde metade da Europa compete pela fama estridente, onde tudo precisa ser comprado, ou pelo menos pago, até mesmo a obra mais meritória, para entrar no mercado e, assim, obter reconhecimento, Heine, geralmente tão despreocupado, cruzou as mãos devotamente, confiante como um alemão. Bem, não deu certo, mas também não foi um fracasso, e dois anos depois, mais pobre por fora, mas mais rico por dentro, o músico itinerante retornou à Saxônia, que admiravelmente acolhera seu filho. – Agora, para mostrar o rosto e a história de vida do meu amigo ao público em geral, pedi-lhe que me enviasse o retrato que seu fiel companheiro Kietz havia desenhado em Paris em um momento de grande necessidade, e um esboço de sua história de vida, para que eu pudesse desenvolvê-la. Mas o impulso parisiense também transformou o músico em escritor às pressas: eu só estragaria o esboço biográfico se o alterasse, e assim, para surpresa do próprio autor, ele pode ser reproduzido aqui na íntegra, tal como ele me comunicou para edição.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Richard Wagner: Die deutsche Oper (1834)

Carta a BARON von BIEDENFELD, WEIMAR. Dresden, 17 de janeiro de 1849.

Tradução de Sobre a abertura