Carta Hanslick “Eduard Hanslick, WienDresden, 1. Januar 1847

“Eduard Hanslick, WienDresden, 1. Januar 1847”


Trecho de

Nimm meine ganze Seele zum Morgengruße

Wagner, Wilhelm Richard;Mischke, Joachim;

Ich kann nicht den besonderen Ehrgeiz haben, durch meine Musik meine Dichtung in den Schatten zu stellen, wohl aber würde ich mich zerstücken u. eine Lüge zu Tage bringen, wenn ich durch meine Dichtung der Musik Gewalt anthun wollte. Ich kann keinen dichterischen Stoff ergreifen, der sich nicht durch die Musik erst bedingt: mein Sängerkrieg, wenn das dichterische Element darin vorwaltet, war meiner höheren Absicht nach aber auch ohne Musik nicht möglich. – Ein Kunstwerk existirt aber auch nur dadurch, daß es zur Erscheinung kommt: dies Moment ist für das Drama die Aufführung auf der Bühne, – so weit es irgend in meinen Kräften steht, will ich auch diese beherrschen, u. ich stelle meine Wirksamkeit zu diesem Zwecke den übrigen Theilen meiner Productivität fast vollständig zur Seite.Eines noch ist wohl zu erwägen: da, wo die Musik mitwirkt, drängt sich dieses mächtig sinnliche Element so lebhaft in den Vordergrund, daß die Bedingungen ihrer Wirksamkeit fast als einzig maaßgebend erscheinen müssen. Ob nun aber die Musik durch ihr eigenstes Element im Stande ist überall dem zu entsprechen, was eine Dichtung – so musikalisch sie auch immer sei – darbietet, ob sie im Stande sei, zumal der dramatischen Leidenschaft überall u. vollständig zu genügen, wage ich noch nicht zu entscheiden.Was mich um eine Welt von Ihnen trennt ist Ihre Hochstellung Meyerbeers; ich sage dies mit vollster Unbefangenheit, denn Meyerbeer ist mir persönlich sehr befreundet, u. ich habe allen Grund ihn als liebenswürdigen, theilnehmenden Menschen zu schätzen. Aber wenn ich alles zusammenfasse, was mir als innere Zerfahrenheit u. äußere Mühseligkeit im Opernmusikmachen zuwider ist, so häufe ich dies in den Begriff »Meyerbeer« zusammen, u. dies um so mehr, weil ich in der Meyerbeer’schen Musik ein großes Geschick für äußerliche Wirksamkeit erkenne, die um so mehr die edle Reife der Kunst zurückhält, als sie mit aller Verläugnung der Innerlichkeit in jeder Farbe zu befriedigen sucht: – wer sich in das Triviale verirrt, der hat es an seiner edleren Natur zu büßen; – wer es aber absichtlich aufsucht, der ist – glücklich, denn er hat es an nichts zu büßen. – –Leben Sie wohl u. lassen Sie mir bald wieder etwas von sich hören.Der IhrigeRichard Wagner.”


Não posso nutrir a ambição específica de ofuscar minha poesia com minha música; aliás, estaria me despedaçando e revelando uma mentira se violentasse a música através da minha poesia. Não consigo compreender nenhum tema poético que não seja condicionado, antes de tudo, pela música: meu Concurso Minnesinger, na medida em que o elemento poético prevalece, não teria sido possível sem a música, segundo minha intenção superior. – Uma obra de arte, porém, só existe em virtude de sua manifestação: para o drama, esse momento é a performance no palco – na medida em que estiver ao meu alcance, também quero controlá-la, e subordino quase completamente minha atividade às outras partes da minha produtividade para esse fim. Mais uma coisa deve ser considerada: onde a música está envolvida, esse elemento poderosamente sensual se impõe com tanta vivacidade que as condições de sua eficácia devem aparecer quase como o único fator determinante. Se a música, por sua própria natureza, é capaz de corresponder plenamente ao que a poesia — por mais musical que seja — oferece, e especialmente se é capaz de satisfazer de forma completa e universal a paixão dramática, ainda não me atrevo a decidir. O que me diferencia de você por um mundo é a sua grande estima por Meyerbeer; digo isso com total sinceridade, pois Meyerbeer é um grande amigo meu, e tenho todos os motivos para considerá-lo uma pessoa gentil e empática. Mas se eu tivesse que resumir tudo o que considero repugnante na criação de ópera — a desordem interna e a monotonia externa — eu reuniria tudo sob o rótulo "Meyerbeer", sobretudo porque reconheço na música de Meyerbeer um grande talento para a eficácia externa, o que restringe ainda mais a nobre maturidade da arte, já que esta busca satisfazer em todas as nuances com completa negação da vida interior: — quem se perde no trivial deve expiar isso com a sua natureza mais nobre; — mas quem a busca deliberadamente é feliz, pois não tem nada a expiar. — Adeus, e espero ter notícias suas em breve. Atenciosamente, Richard Wagner.

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